Villette & Charlotte Brontë

Charlotte Brontë já esteve conosco no Coletivo em 2021 com sua obra mais famosa: Jane Eyre. agora em março, nossa leitura pode não ter a mesma popularidade da história de Eyre, mas, além de ser o último romance publicado em vida, em 1853, Villette é hoje considerada a obra de maior maturidade de Charlotte, e aclamado pela crítica.

Villette é um livro ainda mais maravilhoso do que Jane Eyre. Há algo de sobrenatural em seu poder.

George Eliot

Villette é o nome da cidade fictícia a qual a protagonista, Lucy Snowe, se muda ao sair da Inglaterra para se tornar preceptora em um pensionato francês, que é dirigido por Madame Beck. depois disso, sua jornada ainda a levaria a se tornar professora.

seguindo o estilo das vidas das heroínas vitorianas, Lucy foge de um passado trágico e precisa lidar com a rejeição, saudade, abandono, um futuro incerto e com o conflito de sentimentos por dois homens de temperamentos tão distintos.

sem adentrar mais na vida de Lucy, podemos dizer que, assim como sua primeira obra, O Professor, Villette teve influências autobiográficas de Charlotte, especialmente em relação ao período no qual atuou como governante e professora.

inclusive, Charlotte não gostou de nenhuma das funções, e o período como professora chegou inclusive a afetar sua saúde mental.

Eu tenho que cuidar de um grupo de crianças turbulentas e mimadas que se espera que eu divirta e instrua.

Charlotte bronte, em carta à um amigo, falando sobre ser governanta

a experiência de Charlotte como professora

era 1842 e Charlotte, com então 21 anos, foi para Bruxelas com sua irmã Emily, para completar sua educação e aprofundar seu estudo em francês. Charlotte ficou um ano como aluna, e então fora convidada a voltar a Roe Head para trabalhar como professora.

porém, ela acabou percebendo que o papel de professora era muito diferente da vida como aluna. em seus diários, essa época e seus sentimentos foram retratados de modo raivoso, tanto em relação aos alunos quanto a si mesma.

com o tempo, Charlotte teve um colapso e a recomendação médica foi de que ela voltasse a Haworth ou poderia morrer.

durante o período em que esteve em Bruxelas, ela também se apaixonou por seu professor, Constantin Heger, a quem escreveu cartas de amor. quando sua fama veio à tona, a esposa de Heger resgatou as cartas, que vieram a público.

Sei que você vai perder a paciência comigo ao ler esta carta. Você dirá que estou superexcitada, que tenho pensamentos negros etc. Que assim seja, Monsieur – não procuro me justificar, submeto-me a todos os tipos de reprovações – tudo o que sei é que não posso – que não vou resignar-me com a perda total da amizade de meu mestre. Prefiro sofrer as maiores dores corporais do que ter meu coração constantemente dilacerado por remorsos lancinantes.

trecho de carta de charlotte a heger

o sentimento não correspondido também encontra seus em Villette, que debate também a figura patriarcal da sociedade vitoriana, assim como a opressão à mulher que desafia os preceitos tradicionais da época de expectativa de uma figura padronizada por ser fisicamente atraente, afetuosa e submissa. em outras palavras, o bela, recatada e do lar do século XIX.

tudo isso também conversa muito com a própria história de Charlotte, que precisou publicar, assim como as irmãs, seus primeiros versos sob pseudônimo masculino, Currer Bell. além disso, sua primeira obra, O Professor, foi rejeitado por diversas editoras, sendo publicado apenas postumamente.

um editor chegou a dizer para Charlotte que ela até tinha talento, mas deveria desistir da carreira da escrita por ser mulher:

[…]a literatura não pode ser o objetivo de vida de uma mulher e nem deveria ser. Quanto mais uma mulher estiver comprometida com suas obrigações, menos tempo livre ela terá para isso.

palavras que ressoam na vida das mulheres até os dias de hoje e que carregam consigo mais limitações do que são possíveis de ver à um primeiro olhar.

para quem ainda não está se aventurando por Villette junto à Lucy, confira as edições na Amazon ou o catálogo de livros das nossas lc’s nesta página da Amazon. e se quiser conferir nossa lista de leituras coletivas, clica aqui!

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