a gente prefere a cama quando chega no último estágio do amor

Chico, vamo fazê amor.

Ele tomou o último gole de café pra então me responder com aquele sorriso meio torto que dá pra ele cara de cafajeste. Desse cafajeste eu entendo bem, peguei ele pelos dedos, prendi aos meus e fomos caminhando pro quarto como se fosse a caminhada de quem está desfrutando a vista no beira-mar.

A gente prefere a cama quando chega no último estágio do amor. Já passamos da fase arrebatadora de paixão que deixa as pernas doloridas de tanto ficar aberta.

A cama também é boa porque combina com o fim de tarde alaranjado e preguiçoso que faz no quarto, com os raios mostrando as poeirinhas que a gente nunca consegue limpar. É bom também porque a gente aproveita e toma um pouco de vitamina enquanto se conecta.

Mas o principal é que, quando a gente chega na cama, sem pressa e com a preguiça típica de domingo à tarde, a gente se deita enquanto se despe fácil um pro outro. A roupa já é uma camada que não faz diferença no modo que a gente se vê. Chico diz que minhas pintas nas costas ficam mais bonitas no sol e eu lembro que, segundo o dermatologista, elas nem deviam ver sol. Mas a gente vive a vida como se fosse criança e médico, não importa a especialidade, é pai que a gente só finge que obedece.

O lençol vai pro lado porque o sol esquentou a gente e a pele na pele tem o dom de arrepiar os pelos e aumentar temperatura mais rápido que febre. A gente se enrola, minha boca na pele dele, a dele na minha, até eu resolver cavalgar em câmera lenta em cima dele. As mãos da gente se abraçam enquanto ele se entranha em mim e sempre penso que é esquisito como dão tanta ideia de poder ao homem nesse ato quando, na verdade, é ele que pode quebrar e sou eu quem abraça, quem acolhe, quem engole ele inteiro. Sou eu quem remexe e quem pode gozar uma, duas, três ou quantas vezes rolar. Não que gozo seja a única coisa importante no sexo, e muito menos que sexo seja só gozar. Ainda que o gozo seja de fato uma das sete maravilhas do mundo, dizer que a finalidade do sexo é gozar é sacrilégio, disso eu sei. E sei porque ainda que a finalidade básica do sexo seja reprodutiva, a questão toda é outra, bem diferente.

Fazê amor é só minha denominação do jeito que a gente se conecta quando tá a dois, quando se despe e deixa de lado os boletos, os latidos do cachorro do vizinho, os problemas da humanidade e o fato que amanhã é segunda-feira útil. É o jeito que a gente lembra que ainda existe paixão nessa fase que é guiada não no instinto, mas muito mais nas escolhas que a gente faz todo santo dia.

É conexão do corpo dele dentro do meu enquanto eu ainda tô no meu vai e vem e tá tão gostoso que solto uma das minhas mãos da dele pra dar aquele carinho em mim mesma. E tá tão bom que o suor já brota das minhas costas, o sol parece querer bronzear minhas coxas, mas eu sigo devagar, porque gosto demais da lentidão da preguiça que só quem tá bem consegue se permitir.

E quando gozo não tem fogos de artifício, nem explosão no espaço sideral. São meus dedos dos pés se contraindo, eu me contraindo por dentro e um tremor gostoso que me diz que eu quero mais.

Chico se senta comigo e me beija, é o único jeito que eu gosto de beber café puro. Seus dedos brincam entre minhas pernas, sentem o tanto que ainda estou trêmula e isso faz ele me querer mais. Fica daquele jeito que tu gosta, de concha, amô. É um jeito meio engraçado que eu me deito sobre minhas pernas que não é exatamente de quatro, mas também não é muito deitada. Eu me viro e fico do jeito que ele sabe que eu gosto, porque se ele não pedisse, eu virava por conta própria.

A gente se conecta de novo e o bom disso é que estamos em sintonia, então Chico se mexe de um jeito longo e lento que faz um vai e vem gostoso que quero me espreguiçar. A pressão dele, da posição, eu vejo que ele vai gozar também. É gostoso demais quando ele faz nessa posição porque sempre acho que ele sente mais prazer assim e só de ter essa ideia eu quero mais é que ele vá inteiro pra dentro de mim.

Chico geme daquele jeito que significa que logo ele não vai aguentar mais, é engraçado como a gente lê a pessoa tão bem na cama depois que conhece, seus barulhos são um verdadeiro mapa. Ele diz que é bom demais me comer nessa posição. Mas é mais sexy e gostoso de ouvir ele dizer do que o jeito que eu repito aqui na minha cabeça.

Descreve pra mim. O quê? Como é me comer assim, desse jeito. Porra, amor, é difícil. Tenta, Chico. É… é porra, é bom pra caralho. Parece que tem mais jeito de ir com tudo, parece que sinto você ainda mais molhada, parece que gosta muito e isso me dá um tesão doido.

Sorrio por fora que é só um cadim do que sorri por dentro e agora ele realmente dá suas últimas estocadas, com um pouco mais de vigor no fim, porque é sempre assim que ele faz. Mas nem de longe aquele vigor daquela vez que a gente transou no banheiro da parada da viagem. Aquilo era outra coisa e outro estágio do amor da gente.

Chico fica um tempo meio apoiado em mim, meio deitado, recuperando o fôlego. Gosto do peso do corpo dele no meu, no calor abafado que sinto mesmo que o sol já esteja indo embora.

A gente vai no banheiro juntos pra fazer xixi e adoro ver como ele contrai a bunda enquanto mija no vaso. Ele é sempre certeiro quando tô junto, então é até bom que eu esteja lá esperando. E a gente aproveita a descarga, afinal, são quarenta litros de água.

Quando voltamos pra cama eu fico em meia lua pra pegar os últimos raios de sol e Chico deita o contrário de mim. Somos o sol agora.

Quero te beijar. Estendo minha mão pra ele pra gente se aproximar, mas ele diz que é aqui embaixo. Então eu levanto uma perna e dou passagem pra sua boca. Beijar é, sem sombra de dúvidas, uma das principais qualidades do Chico. Não vou dizer a principal porque, enquanto ele beija meus grandes lábios e passa sua língua tarada em mim, eu não tenho plena capacidade de ser justa com as outras qualidades dele. Ainda mais quando me beija como se beijasse minha boca, de vez em quando seus dados aparecem, mas são rápidos e ele volta a beijar pra que eu me contorça até que meus dedos dos pés doam de tanto contrair.

O gozo de agora é a calmaria da satisfação, aquela dose de relaxante muscular, cerebral e sentimental que deixa a gente meio sonolenta. Engraçado porque são os homens que sentem sono depois do sexo, segundo os cientistas.

Chico escorrega pela cama e agora somos dois velhinhos encarquilhados um de frente pro outro. E, quando ele me beija de novo, eu adoro o sabor ácido do seu café.

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