Livros para quem quer começar a ler clássicos

Imagem de capa de post Livros para começar a ler clássicos, a imagem tem fundo branco e compreende uma ilustração de vários livros de lombadas coloridas, enfileirados lado a lado.

Livros clássicos chamam a atenção por, bem, serem clássicos, mas muita gente ainda tem “medo” deles. Será que é difícil demais? Complexo demais? Tem uma linguagem rebuscada demais? 

Nem sempre. Aliás, na maioria das vezes, não.

Mas, se você quer começar a ler clássicos, é bom entender primeiro porque isso é relevante. 

Em um mundo em que Bobbie Goods está no topo de vendas em literatura da Amazon, ler clássicos é uma atividade que traz benefícios para além do simples divertimento. A depender do título, você conhece outras culturas, costumes e épocas bem diferentes da atual, além de ter contato com eventos marcantes da humanidade.

É essencial lembrar que o que define um clássico não é quantas cópias a obra vendeu ou quando foi escrita, mas sua capacidade de atravessar gerações sem que o assunto principal perca a relevância ou o reflexo no nosso dia a dia. Exemplo: 1984, de George Orwell, é discutido até hoje por trazer temas como autoritarismo político, hipervigilância e ausência de pensamento crítico das massas, entre outros – até porque esses assuntos, vira e mexe, voltam à baila com governos que, apesar de se edificarem em 2026, fazem as vezes de presidencialismo de 1939… 

Enfim! Ainda vale ler clássicos nos dias de hoje para melhora da capacidade de leitura e imaginação, entendimento do presente e valorização da escrita puramente humana. E, claro, porque muitos clássicos literários são incríveis pra caramba, e você vai perder coisa boa se passar direto por eles na sua próxima ida à livraria.

Imagem de capa de post Livros para começar a ler clássicos, a imagem tem fundo branco e compreende uma ilustração de uma mão segurando um livro.

Clássico é gênero literário? 

Quem se dispõe a ler clássicos não está lendo, necessariamente, um gênero literário, como romance ou fantasia. Trata-se de uma classificação de valor baseada em pilares como atemporalidade, universalidade de temas, influência, reinterpretação da obra e impacto que causa em quem o lê (e a capacidade de fazer com que quem lê possa modificar seu ponto de vista através da obra).

Dentro do guarda-chuva dos “livros clássicos” podemos encontrar diversos estilos e gêneros, em variados níveis de dificuldade de leitura. De Dante Alighieri a Machado de Assis, passando por Jane Austen e Virginia Wolf, chegando em Miguel de Cervantes e Carolina Maria de Jesus, há espaço para muitos temas, muitas linguagens e muitas épocas, e é essencial experimentar o máximo possível antes de achar que nenhum deles vai valer a pena. Se você curte algo mais contemporâneo, começar a ler clássicos por obras que se assemelham em linguagem e estilo ao que já tem costume é um bom começo para adentrar no “panteão dos deuses”. 

O importante é não desistir na primeira leitura – e seguir as dicas abaixo para continuar em frente:

Imagem de capa de post Livros para começar a ler clássicos, a imagem tem fundo branco e compreende uma ilustração de uma mão segurando um livro.

Respeite seu ritmo

Ler clássicos não é maratona nem sprint: simplesmente, não é corrida! Você não está competindo com ninguém (nem com você mesma) pra saber quem vai terminar A Ilíada primeiro. Então, respeite o seu próprio ritmo na hora de se jogar em uma obra considerada clássica.

E, se no correr da carruagem, achar que a história não é tããão do seu agrado, recalcule a rota e mude de clássico. Uma hora suas expectativas serão alcançadas.

Prefira PT-BR

Se português é sua língua nativa, escolha a partir daí. Ler Shakespeare, por exemplo, é mais fácil para iniciantes em português (até porque a versão em inglês é de, literalmente, 1500, e às vezes os fluentes nessa língua não conseguem ler numa boa).  

Ah, por falar no cara, comece a ler clássicos por obras que não sejam consideradas tão complexas… Machado de Assis, por exemplo, tá sempre no hype, mas é uma leitura que flui porque é muito acessível (pelo menos para quem tem ironia como sobrenome…).

Imagem de capa de post Livros para começar a ler clássicos, a imagem tem fundo branco e compreende uma ilustração de duas mãos segurando um livro aberto.

Leia edições comentadas

Ler um clássico já é uma tarefa bem divertida, que pode ficar ainda melhor caso você queira saber mais sobre a obra a partir do ponto de vista de especialistas ou leitores curiosos que são convidados a comentar os livros.

A edição de Alice no País das Maravilhas da Darkside Books é um bom exemplo: tem comentários antes do livro, depois do livro e uma coleção de fotos para contextualizar o que os comentaristas falam. 

Vale, também, procurar comentários das obras no YouTube, em podcasts e em blogs como o nosso, que vão enriquecer ainda mais sua experiência de leitura. 

Anote e pesquise

Aliás, uma das formas mais efetivas de ler clássicos e compreendê-los é ficar com um caderninho na mão, anotando todas as dúvidas e pesquisando depois o que significa tal coisa. Afinal, leituras clássicas podem vir recheadas de referências a épocas, eventos e culturas que ainda não conhecemos – e qual o melhor jeito de passar a conhecer do que estudá-los?

Imagem de capa de post Livros para começar a ler clássicos, a imagem tem fundo branco e compreende uma ilustração de três livros, cada um sendo segurado por uma mão.

Participe de clubes do livro

Assim como tudo no mundo literário, ler clássicos é apenas a ponta do iceberg; assim que você entra nesse universo, é preciso cada vez mais. Debater com outros leitores, trocar experiências e perceber outras maneiras de enxergar as mesmas palavras é essencial para ter a experiência completa.

Por isso, sempre que der, participe de clubes do livro que estejam falando sobre suas leituras atuais ou que foquem especificamente em clássicos. Aqui, no Coletivo da Retipatia, a gente lê de tudo, inclusive os mais badalados da literatura mundial, e sempre cabe mais gente que ama ler.

Vem fazer parte! 

Bora começar a ler clássicos?

Explorar os mundos de quem veio antes da gente só fortalece nossa forma de ver o nosso próprio. Então, ler clássicos é quase uma obrigação para quem quer viajar para universos que estejam além da zona de conforto, mas acessíveis o suficiente para fazerem parte da nossa vida.

Para começar a ler clássicos, sugiro os livros abaixo, que já fizeram parte do nosso Coletivo e que são grandes clássicos da literatura mundial:

Capas de edições de As Aventuras de Pinóquio, da Editora Wish, DarkSide Books e Zahar.

As Aventuras de Pinóquio

Você sabe que mentira faz o nariz crescer, mas isso nem começa a resumir Pinóquio, o boneco de madeira que se transforma em criança desordeira e toca o terror na Florença do século XXVIII antes de aprender suas valiosas lições.

O livro de Carlo Collodi inspirou um sem número de adaptações para o cinema, a TV e o teatro, mas nenhuma delas foi tão rica quanto a obra original.

Capas das edições de O Jardim Secreto, da DarkSide Books, Zahar e Penguin.

O Jardim Secreto

Se você nasceu antes dos anos 2000, com certeza viu esse filme em alguma Sessão da Tarde da Globo, mas o livro que o inspira é um clássico atemporal que, apesar de ser voltado para o público infanto-juvenil, é leitura obrigatória para todas as idades.

Na obra, escrita por Frances Hodgson Burnett, Mary Lennox perde os pais na Índia e é forçada a viver com o tio misterioso e taciturno em uma mansão em Yorkshire. Ela mesma é bem rabugenta, mas suaviza sua personalidade ao lidar com Colin e Dickon, dois amigos muito diferentes entre si que trazem Mary para uma realidade em que a adolescência e a natureza desabrocham ao mesmo tempo.

Capas das edições do livro Orgulho e Preconceito, da Martin Claret, DarkSide Books, e Zahar.

Orgulho e Preconceito

Um dos livros mais aclamados de Jane Austen, senão o mais, Orgulho e Preconceito narra a saga de Elizabeth Bennet, que pouco liga para a opinião alheia (em uma época em que mulheres sequer tinham direito a uma opinião própria) e, por sua personalidade forte e carismática, atrai as atenções do Sr. Darcy – um homem que ela despreza com todas as suas forças. Você pode inclusive conhecer mais sobre autora, no nosso Guia de Livros com Biografia e motivos para ler Jane Austen!

Capas das edições do livro Emma, pela Martin Claret, Antofágica e Penguin.

Emma

Jane Austen morreu há mais de duzentos anos, mas lê-la é entender porque um livro clássico é um clássico: os assuntos e a linguagem continuam tão atuais que faz parecer que Jane está entre nós e, muito provavelmente, é uma influenciadora digital.

Em Emma, as fofocas e atritos de uma pequena cidade fazem com que Emma, a personagem do título, quase entregue o grande amor de bandeja para outra pessoa por não saber ler os sinais da atração. Para se ter uma ideia, uma das obras cinematográficas inspiradas neste livro é nada menos que As Patricinhas de Beverly Hills.

Capas das edições de A Rainha do Ignoto pela Editora Wish, Editora 106 e Editora Fora do Ar.

A Rainha do Ignoto

O primeiro clássico nacional fantástico de que temos notícia é escrito por Emília Freitas e narra a história da Rainha e suas Paladinas que, na Ilha do Nevoeiro, lutam contra opressões causadas por uma sociedade patriarcal e misógina. Considerado um romance psicológico dos bons, A Rainha do Ignoto foi publicado em 1899 e mora nos nossos corações desde então.

Capas das edições de Um Conto de Natal pela Antofágica, Martin Claret e Penguin.

Um Conto de Natal

Charles Dickens tem uma série de livros considerados clássicos, mas esse tem um molho a mais porque fala de Natal e, por aqui, amamos a data (se você ainda não leu Bem-vindo ao Clã Nicolau, faça esse favor). 

Nesse Conto, Dickens fala da véspera de Natal de Ebenezer Scrooge. Enquanto anda por Londres, Ebenezer encontra três espíritos: o do Natal passado, o do presente e o do futuro. O objetivo? Entender o que perdeu, o que anda ignorando e o que pode ser salvo em sua vida. 

Capa das edições de A Princesa e o Goblin pela Editora Wish, Principis e Pé da Letra.

A Princesa e o Goblin

Irene é uma princesa entediada que resolve explorar o próprio castelo para passar o tempo, e encontra uma escada secreta que guarda um (tcharam!) surpreendente segredo. Na plebe, um jovem vê goblins tramando maldades; mas, para o azar dos goblins, o jovem é Curdie, amigo da princesa, que conta com a ajuda do segredo da escada para defender o reino de qualquer truculência.

Esse é um clássico escrito por George MacDonald que inspirou outros autores a escreverem outros clássicos. Quais? Ninguém menos que CS Lewis (As Crônicas de Nárnia) e JRR Tolkien (O Senhor dos Anéis).

Capa das edições de Carmilla, pela Editora Wish, DarkSide Books e Via Leitura.

Carmilla

O que você faria se uma hóspede da sua casa te trouxesse de volta pesadelos de infância? Laura é alguém que pode dar essa resposta, pois é exatamente o que lhe acontece depois da visita de Carmilla, a vampira de Karnstein. 

Escrito por Joseph Sheridan Le Fanu, Carmilla é a história da primeira vampira mulher da literatura, permeada por mistério, horror e, claro, muita sedução vampiresca.

Você já leu algum desses livros da nossa lista para começar a ler clássicos? Tem outros para indicar? Se quiser ler clássicos com excelentes companhias, vem fazer parte do Coletivo da Retipatia! Por aqui temos os melhores livros, sempre lidos pelas melhores pessoas. 🙂

deixe seu comentário, coletiver!

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